Cardiologia19 FEV DE 202613 min de leitura

Cardiologia: o que faz o cardiologista e quando procurar esse especialista

A cardiologia é a área da medicina que cuida do coração e dos vasos do sangue: as veias e artérias. Parece simples, mas muita gente só lembra que esse médico existe quando sente uma dor no peito ou leva um susto com a pressão lá em cima.

O problema é que as doenças do coração costumam aparecer devagarinho, sem dar sinal nenhum durante anos. Quando a pessoa começa a sentir algo, muitas vezes a coisa já está mais avançada. Por isso, o ideal é ter um cardiologista acompanhando sua saúde antes de qualquer problema dar as caras.

Neste texto, a gente vai conversar sobre o que esse médico faz no dia a dia, quais sinais do corpo merecem atenção, o que aumenta o risco de ter uma doença no coração, como é feito o diagnóstico e o tratamento, e quando vale a pena marcar uma consulta ou correr pro pronto-socorro.

O que faz o cardiologista?

Muita gente acha que o cardiologista só aparece na hora do infarto. Mas o trabalho dele vai muito além disso.

No consultório, esse médico escuta suas queixas, mede sua pressão, ouve seu coração com o estetoscópio e pede exames quando precisa. Ele também cuida de quem tem pressão alta, colesterol alto, diabetes ou excesso de peso e tudo isso tem a ver com o coração, mesmo que a pessoa não sinta nada.

Quem já teve infarto, derrame ou fez alguma cirurgia no coração também precisa de acompanhamento regular. E mesmo quem nunca teve nada pode precisar do cardiologista para fazer uma avaliação antes de uma cirurgia, ou simplesmente para saber se está tudo bem.

Além de pedir e analisar exames, o cardiologista orienta sobre alimentação, exercício físico, cigarro, sono, tudo que influencia na saúde do coração. E quando precisa, ele também prescreve remédios e acompanha se estão fazendo efeito.

Resumindo: o cardiologista não cuida só de quem está doente. Ele também ajuda a evitar que a doença apareça.

Quem é o cardiologista

Foto do Dr. Thiago Felipe dos Santos
Dr. Thiago Felipe dos Santos (CRM-PR 26846 • RQE 18484 e 19548)
1600x900

Meu nome é Thiago Felipe dos Santos, sou médico cardiologista.

Me formei em medicina pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) é 2009 e depois me especializei em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Também tenho especialização em ecocardiografia e imagem cardiovascular pelo Departamento de Imagem Cardiovascular da SBC, que é a área voltada para os exames de imagem do coração.

Há 10 anos atendo em Cornélio Procópio, no norte do Paraná, onde sou diretor técnico da Clínica Cordis, uma clínica especializada em cardiologia e psiquiatria. No meu dia a dia, cuido de pessoas com pressão alta, colesterol elevado, arritmias, insuficiência cardíaca, doenças nas artérias do coração e de pacientes que precisam de acompanhamento após infarto ou cirurgias cardíacas. Também faço muita avaliação preventiva, ajudando meus pacientes a cuidarem do coração antes que qualquer problema apareça.

Escrevo esses textos porque acredito que informação de qualidade ajuda as pessoas a se cuidarem melhor. Se algo do que você leu aqui fez sentido para a sua situação, procure um cardiologista de confiança para uma avaliação.

Tem mais de um tipo de cardiologista?

Sim, dentro da cardiologia existem áreas mais específicas. Tem médico que se dedica mais ao atendimento no consultório, cuidando do dia a dia do paciente. Tem quem faça procedimentos, como o cateterismo (um exame que entra por uma veia do braço ou da perna e chega até o coração para ver se tem algum entupimento). Tem quem cuide especificamente do ritmo do coração, quando ele bate rápido demais, devagar demais ou de forma irregular. E tem quem trabalhe mais com a prevenção, tentando evitar que a doença apareça.

Para quem está lendo isso, o mais importante é saber: se o assunto é coração, o cardiologista é o médico certo para procurar.

O que aumenta o risco de ter uma doença no coração?

As doenças do coração não aparecem do nada. Geralmente, elas vão se formando ao longo de anos por causa de uma combinação de coisas. Algumas a gente não controla, outras a gente pode mudar.

O que a gente não controla: a genética. Se seu pai, sua mãe, um irmão ou irmã tiveram infarto, derrame ou morreram de repente por problema cardíaco, principalmente quando jovens, seu risco é maior. Isso não quer dizer que vai acontecer com você, mas significa que vale a pena ficar de olho.

O que a gente pode mudar e aqui entra a maior parte dos fatores.

A pressão alta é um dos maiores vilões. Quando o sangue passa com muita força pelas artérias, ele vai machucando a parede desses vasos aos poucos, sem a pessoa sentir nada. Com o tempo, isso causa problemas sérios.

O colesterol alto também é perigoso porque a gordura vai se acumulando dentro das artérias e pode entupir. É como um cano que vai ficando cheio de sujeira por dentro e uma hora, o sangue não passa mais direito.

O diabetes faz mal porque o excesso de açúcar no sangue vai danificando os vasos. Quem é fumante também corre mais risco e vale dizer que cigarro eletrônico e narguilé não são seguros, apesar de muita gente achar que são.

Fora isso, o sedentarismo, o excesso de peso (principalmente barriga), comer muito sal, fritura e comida industrializada, beber demais, dormir mal e viver estressado, tudo isso vai pesando no coração com o passar dos anos.

O papel do cardiologista é justamente olhar para tudo isso, entender o risco de cada pessoa e montar um plano para diminuir esse risco.

Quais sinais do corpo merecem atenção?

O coração nem sempre avisa claramente que tem algo errado. Mas existem alguns sinais que não devem ser ignorados.

O mais conhecido é a dor no peito. Ela pode vir como um aperto, um peso, uma queimação. Às vezes irradia para o braço, pescoço, queixo ou costas. Nem toda dor no peito é do coração, às vezes pode ser muscular, do estômago ou até ansiedade, mas como a dor cardíaca pode ser grave, é importante investigar.

Falta de ar também merece atenção, principalmente se aparece ao fazer esforço ou ao deitar. Se você costumava subir uma escada numa boa e agora fica ofegante, vale prestar atenção.

Palpitação é outro sinal comum. Aquela sensação de que o coração está disparado, batendo forte demais, falhando ou "tremendo" no peito. Pode não ser nada sério, mas precisa ser avaliado.

Tontura, desmaio, inchaço nos pés e pernas, e ganho de peso rápido (em poucos dias, não ao longo de meses) também podem estar ligados a problemas no coração.

Isso tudo não significa que você está com uma doença grave e muitas vezes não é nada mesmo. Mas fechar os olhos para esses sinais não é uma boa ideia. Se sentir algo assim, procure um médico.

E atenção: se a dor no peito for forte, a falta de ar intensa, ou se você desmaiar, não espere, vá direto ao pronto-socorro.

Como o cardiologista descobre se tem algo errado?

Tudo começa com uma boa conversa. Na consulta, o médico vai perguntar o que você está sentindo, desde quando, se já teve algum problema de saúde, quais remédios toma, se alguém na família teve doença no coração, como é sua alimentação, se faz exercício, se fuma, como está dormindo.

Depois, faz o exame físico: mede a pressão, escuta o coração e o pulmão, vê se tem inchaço, observa o geral.

A partir daí, ele pode pedir alguns exames. Os mais comuns são:

O eletrocardiograma é aquele exame rápido, que coloca uns adesivos no peito e registra a atividade elétrica do coração. Não dói, dura poucos minutos.

O ecocardiograma é um ultrassom do coração. Ele mostra como o coração está batendo, se o tamanho está normal e se as válvulas (que são como portinhas dentro do coração) estão funcionando direito.

O teste de esteira (ou teste ergométrico) avalia como o coração se comporta durante o esforço. Você caminha ou corre numa esteira enquanto o médico monitora seu coração.

Exames de sangue também são pedidos e servem para ver colesterol, açúcar no sangue, como estão os rins, entre outras coisas.

Em alguns casos, o médico pode pedir para você usar um aparelhinho por 24 horas que fica medindo sua pressão ao longo do dia e da noite (o MAPA), ou um que registra o ritmo do coração (o Holter). Isso ajuda a pegar alterações que não aparecem numa consulta rápida.

Em situações mais específicas, podem ser necessários exames mais detalhados, como tomografia das artérias do coração, ressonância cardíaca ou cateterismo. Mas esses só são pedidos quando realmente faz sentido.

Como é o tratamento?

O tratamento depende muito de cada pessoa. Não existe receita pronta.

A base de tudo são as mudanças no dia a dia. Comer melhor, se movimentar mais, parar de fumar, dormir direito, controlar o estresse. Parece simples, mas faz uma diferença enorme e é algo que nenhum remédio substitui totalmente.

Quando essas mudanças sozinhas não bastam, o cardiologista pode receitar remédios. Existem medicamentos para baixar a pressão, para reduzir o colesterol, para controlar o ritmo do coração, para fortalecer o coração quando ele está fraco, entre outros. Cada caso é um caso.

Uma coisa importante: se o médico receitou um remédio, não pare de tomar por conta própria. Não é porque a pressão abaixou que o remédio não é mais necessário. Na maioria das vezes, a pressão só está controlada porque o remédio está fazendo efeito. Parar sem orientação médica pode ser perigoso.

Em casos mais graves, pode ser preciso fazer algum procedimento. A angioplastia, por exemplo, é quando o médico desentope uma artéria usando um balãozinho e coloca uma molinha (o stent) para manter o vaso aberto. Em outras situações, pode ser necessária uma cirurgia de ponte de safena, que cria um novo caminho para o sangue passar quando as artérias estão muito entupidas. Há também o marcapasso, um aparelhinho implantado no peito que ajuda o coração a bater no ritmo certo.

Mesmo depois de um procedimento, o acompanhamento com o cardiologista continua sendo fundamental. Não é porque operou que acabou. É preciso cuidar para que novos problemas não apareçam.

Cuidados práticos para o dia a dia

Cuidar do coração é coisa de todo dia, não só de dia de consulta.

Na alimentação, tente cozinhar mais em casa. Reduza o sal, os embutidos (presunto, salsicha, linguiça), as frituras e os alimentos que vêm em pacotinhos prontos. Coma mais frutas, verduras, legumes, peixes e castanhas. Não precisa ser perfeito, pequenas mudanças já ajudam.

Em relação ao exercício, o mais importante é se mexer. Uma caminhada de 30 minutos já faz diferença. Pode ser andar no bairro, pedalar, nadar, dançar, o que funcionar para você. Se tiver alguma doença ou fator de risco, converse com o cardiologista antes de pegar pesado.

O sono também conta muito. Tente dormir e acordar em horários parecidos todo dia, evite o celular na cama e cuidado com café e energético à noite.

E os check-ups? Quem tem fatores de risco ou histórico na família deve conversar com o cardiologista sobre de quanto em quanto tempo precisa voltar. Mesmo quem se sente bem pode se beneficiar de uma avaliação, especialmente depois dos 40 anos.

Quando marcar consulta e quando ir ao pronto-socorro?

Vale marcar uma consulta com calma quando:

Você tem pressão alta, colesterol alto, diabetes ou excesso de peso. Ou alguém da sua família teve infarto ou derrame jovem. Ou começou a sentir cansaço mais fácil, palpitações, inchaço nas pernas. Ou tem mais de 30-35 anos e nunca fez uma avaliação do coração. Ou vai fazer uma cirurgia e precisa de um ok do cardiologista. Ou já teve algum problema cardíaco e precisa de acompanhamento.

Vá direto ao pronto-socorro se:

Sentir dor forte no peito, em aperto, com ou sem dor no braço, pescoço ou costas. Tiver falta de ar intensa e de repente. Desmaiar ou perder a consciência. Tiver palpitação forte com mal-estar, tontura ou sensação de que vai desmaiar. Ou se notar fraqueza de repente em um lado do corpo, dificuldade para falar, boca torta ou alteração na visão, esses podem ser sinais de um derrame.

Na dúvida, não espere. É sempre mais seguro ir ao hospital e descobrir que não era nada do que ficar em casa e piorar.

Mitos comuns sobre o coração

"Só velho tem problema de coração."

Não é verdade. Pessoas jovens também podem ter pressão alta, problemas no ritmo do coração ou doenças que já nascem com a pessoa. Não é só coisa de idoso.

"Se eu não sinto nada, meu coração está bem."

Nem sempre. Muitas doenças do coração ficam meses ou anos sem dar sintoma nenhum. Por isso o acompanhamento com o cardiologista é tão importante, mesmo sem sentir nada.

"Mulher tem menos risco de infarto."

Em parte sim, em parte não. Até a menopausa, as mulheres costumam ter uma certa proteção por causa dos hormônios. Mas depois, o risco se iguala ao dos homens. E tem outra coisa: os sintomas nas mulheres às vezes são diferentes e mais discretos, o que faz muita gente, inclusive médicos, demorar para perceber.

"Remédio de pressão vicia."

Isso é um dos mitos mais comuns e não é verdade. O remédio não vicia — ele controla uma doença que na maioria dos casos é para a vida toda. Parar de tomar por conta própria pode ser perigoso.

"Se eu comer bem e fizer exercício, não preciso de médico."

Hábitos saudáveis ajudam muito, mas não substituem a avaliação médica. Tem gente que faz tudo certo e mesmo assim tem colesterol alto por causa da genética, por exemplo. O acompanhamento profissional continua sendo necessário.

Perguntas frequentes

Com que idade devo começar a ir ao cardiologista?

Não tem uma idade exata. Se você tem histórico de doença no coração na família, fuma, está acima do peso, tem pressão ou colesterol alto, pode valer a pena ir já na faixa dos 30 anos. Se não tem nenhum fator de risco, o seu médico clínico pode orientar o melhor momento.

Preciso fazer check-up do coração todo ano?

Depende. Quem já tem algum problema ou fator de risco geralmente precisa de acompanhamento mais frequente. Quem está saudável pode ir em intervalos maiores. O cardiologista é quem define isso.

Toda dor no peito é do coração?

Não. Pode ser muscular, do estômago, do pulmão ou até ansiedade. Mas como a dor cardíaca pode ser séria, não vale a pena arriscar. Se a dor for forte, em aperto, com falta de ar ou suor frio, procure atendimento.

Posso fazer exercício sem passar no cardiologista antes?

Se você é jovem, não tem sintomas e não tem fatores de risco, atividades leves como caminhada geralmente não precisam de uma bateria de exames. Mas uma avaliação básica é sempre prudente. Já se você tem mais idade, algum problema de saúde ou vai começar algo puxado, o ideal é passar pelo cardiologista antes.

Quem já teve infarto pode voltar à vida normal?

Na maioria dos casos, sim. Com o tratamento certo, os remédios em dia, reabilitação e mudanças no estilo de vida, muita gente retoma suas atividades. Cada caso é diferente, claro, e o acompanhamento médico é indispensável.

Agende sua avaliação cardiológica

Se você se identificou com os sintomas, fatores de risco ou dúvidas descritas neste artigo, converse com a equipe da Cordis para uma avaliação individualizada.

Agendar consulta

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta com um cardiologista. Cada pessoa tem uma história e necessidades diferentes. Em situações de urgência, procure atendimento médico imediatamente.

Se você se identificou com algo que leu aqui, converse com um médico de confiança. Cuidar do coração com antecedência é uma das melhores coisas que você pode fazer pela sua saúde.

Dr. Thiago Felipe dos Santos CRM-PR 26846 Cardiologia RQE 18484 Ecocardiografia RQE 19548